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13.7.06

Limas, margaridas e merdas afins

Ao mesmo tempo que pedi à D. Arminda a costumeira litrada de bagaço, abri a revista (Notícias Magazine, “servida” aos domingos pelos jornais Diário de Notícias e Jornal de Notícias) que estava em cima da mesa onde me sentei.
E a coisa prometia: “um actor que se transformou num produtor teatral de sucesso e uma estrela pop dos livros”.
Tratava-se, no primeiro caso, de um tal de Pedro Lima, de quem nunca tinha ouvido falar. Pelo que me é dado a ler, o homem deve ser sobredotado, pois dele se diz que “conseguiu afastar a imagem de poster boy”. Os meus parabéns, portanto.
A “estrela pop dos livros”, como não podia deixar de ser, era a Margarida Rebelo Pinto, "escritora" que me faz lembrar uma empresa de assentamento de tijolo ao metro.
A entrevista – a dois – é digna de ser lida na íntegra. Contudo, para poupar trabalho àqueles que fazem o favor de ler este Blog, passo a anotar os momentos que se me afiguram mais importantes:
Dirigindo-se ao Pedro Lima (adiante designado PL), diz a Margarida Rebelo Pinto (MRP):
- “Tu és como eu: trabalhas muito! Fazes várias coisas ao mesmo tempo. Estamos sempre a inventar trabalho. Vejo-te sempre muito activo”.
Pondo de parte esta semântica de engate, deve assinalar-se que estamos a falar de pessoas com preocupações sociais. Eles até inventam trabalho, vejam lá vocês…
E se acham que exagerei quanto ao engate, atentem na resposta do PL:
- “Pois… quando digo sim a uma coisa empenho-me ao máximo e gasto todas as minhas energias até cair para o lado. Desconheço se isto tem a ver com algum desejo de não falhar… Isto não quer dizer que não desista – já estive várias vezes perto de desistir”.
Ainda bem que as criancinhas de hoje prescindem da leitura…
Não quer isto dizer que a MRP e o PL se tenham enrolado durante a entrevista. Antes pelo contrário, este último deixou bem claro que não tem vagar para essas coisas:
- “Já dei por mim a trabalhar das oito à uma da manhã. Quando estou acordado estou sempre a trabalhar e naquela meia hora que tenho para a família já estou de rastos”.
Por esse andar, Sr. PL, a sua esposa ainda recorre ao mercado externo…
Mais adiante, a MRP informa-nos:
- “Eu vivo para escrever, sempre vivi e sempre hei-de viver. A verdade é que sou muito organizada. Antes de mais nada só escrevo com luz do dia. Nunca acendi um candeeiro para escrever um texto. Não sei o que isso é… à noite entro num outro registo, é como se mudasse de estação de rádio. Também nunca escrevo nas férias nem aos fins-de-semana, ando é sempre com caderninhos para tirar notas”.
Fico perplexo! Não escreve à noite, nem aos fins-de-semana ou sequer em férias… Assim sendo, como é que a mulher arranja tempo para escrever tantas banalidades?! Cá para mim, isso de mudar de registo à noite tem muito que se lhe diga…
Mas o melhor está para vir… Questionada sobre a eventual pressão do público, MRP é taxativa:
- “Eu tenho uma óptima barreira: em qualquer lado sou sempre a escritora, mesmo perante a menina da caixa do hipermercado”.
A MRP considera-se uma escritora! E depois eu é que sou drogado e bêbado…
Mais, a MRP considera a “menina da caixa” uma potencial compradora dos seus livros. A comparação não deixa dúvidas: de um lado a grande escritora e de outro a plebeia literária…
Se alguns utilizam a “empregada da limpeza”, o “taxista” ou mais modernamente o “Xavier”, a MRP recorre à “menina da caixa”, coitada, que se calhar até lê (já que falamos de escritoras) Agustina Bessa Luís, essa mulher fútil e analfabeta, que não vende sequer metade dos livros da Margarida.
Confessa ainda a auto-proclamada escritora:
- “Quando comecei a publicar recebia sempre umas cartas de uns senhores que achavam que eram os homens da minha vida. Tipos com quarenta anos, jipe, um labrador e um monte no Alentejo – só clichés. Curiosamente, depois desapareceram”.
Então, Margarida, tendo em conta a literatura que produzes, que esperavas dos teus admiradores senão clichés?!
Mal por mal, preferiria ler o que a mulher escreve do que “comê-la”. Contudo, partindo do princípio de que os gostos não se discutem, deixo aqui um conselho aos quarentões com jipe, labrador e monte no Alentejo: se estão verdadeiramente interessados em deitar-se com a coirona… vejam “O Sexo e a Cidade” (seja lá isso o que for), pois a tipa garante:
- “Quando conheço um homem que não goste de O Sexo e a Cidade deixo de falar com ele”.
Foda-se! Como é que alguém que acaba de conhecer alguém “deixa de falar” com esse alguém? Isto é muita literatura, caralho… E mais a mais desiludam-se, quarentões do jipe. Cheira-me que a rapariga gosta mais de berbigão do que de macho…
- “Nem percebo muito bem quando têm inveja de mim – apenas sinto que existem umas ondas e uns fenómenos… Enfim, ligo pouco”, assevera-nos a prolixa escritora.
Porra, que deve ser gente muito desgraçadinha da vida! Nunca me passou pela cabeça que alguém pudesse invejar a mulher. Acho mesmo que o Estado, sempre pronto a acudir aos desfavorecidos sociais, deveria pensar também nos desfavorecidos da cabecinha!
A gaja insinua invejosos mas não avança nomes. Será o Fernando Pessoa, o Eça de Queirós, o Aquilino Ribeiro, o próprio Camões? Se calhar são estes todos, pois nunca fiando em mortos que permanecem vivos naquilo que escreveram, ao contrário da Margarida que, até ver, vai vivendo da mortificação da literatura…
E para terminar em beleza, uma tirada verdadeiramente “lilicaneciana”. Diz MRP ao PL:
“Somos os dois pessoas absolutamente normais e gostamos os dois da normalidade. Gostamos também de ir passear com os cães e até andamos imenso de metro. Eu até vou à Feira de Carcavelos!”.
Vejam lá que a rapariga é tão normal que até vai à feira de Carcavelos! E o “até”, parece indiciar que a dita cuja não tem as feiras em grande conta… Mas negócio é negócio. Provavelmente, é nas feiras que se vendem mais os livros que ela caga…
Margarida: ainda tenho esperança de que ganhes o Prémio Nobel da Literatura, entregue pelo Toni Carreira na feira dos três, na Ferreira, e na presença do Pacheco Pereira, que se encarregará de dizer que o José Saramago não sabe escrever, por causa da mão esquerda. O Vasco Graça Moura também lá estará, para defender que a literatura só é possível se escrita com o braço direito.
E se não chegar, a gente chama o Luís Delgado. Ao que parece, não há quem faça melhores minetes. É preciso é que te venhas pelo lado direito!
É nisto que dá falar sobre literatura…

9 comentários:

Corruptor disse...

Um espectáculo! Esplendorosa pátria, de parasitas tão requintados...

Anónimo disse...

Muito bom Sr. Caga-Boi. Até tentei ler um livro da dita mas de facto é como diz. Aquele tipo de leitura vai apenas de encontro às gentes que devoram morangos e cheiram floribellas.

Anónimo disse...

poster boy é o quê?.

Anónimo disse...

Fechou para balanço! Vou ao quaresma...

Anónimo disse...

Quaresma... ainda é vivo?

Anónimo disse...

É o meu café de todos os dias. A única coisa cara é a água... o resto é preço de tasca

Unknown disse...

Tens alguma razão, mias hoje em dia nota-se muito mais a nivel da música, quando tantas bandas de garagem com tudo para ter sucesso mas falta-lhes o apoio (atenção que não tenho nenhuma banda, mas sinto-me revoltado na mesma), enquanto outros badamerdas como Dzerts e o Piu Piu.. Enfim, apreciem bem quem vai ser o novo sucesso das novelas só porque tem a mania que é actor:

www.tiago.com.pt

Gandarro disse...

Esses anormais só escrevem e só cantam a merda que os portugueses lhe compram ( duvido que os ucranianos sejam assim tão burros ).

Fernando Pessoa, o Eça de Queirós, o Aquilino Ribeiro, o próprio Camões??? mas que é isto?
espasmos cerebrais? se dessem o terras do demo a ler aos putos na secundaria tinham todos um ataque de febre dos morangos que fechavam as escolas todas

Anónimo disse...

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